Autarciologia - Introspecção Doutrinária VII

Ω. Antes de falar sobre educação, é importante arrazoar sobre “ciência, religião, verdade, mentira, egoísmo, inveja, preconceito, e vergonha”, segundo o pensamento autarciológico.

Ѳ. Ciência – Se a ciência é o “conjunto de conhecimentos obtidos mediante a observação e a experiência (Mini Dicionário Aurélio)”, então, a acuidade da observação deve garantir que a leitura do fenômeno, do fato, da circunstância, do material ou elemento a ser analisado seja feita debaixo de consciência hígida, capaz de se blindar das influências sensoriais primárias que insistem, a todo instante, em orientar atitudes e ações, posturas e omissões para alimentação, defesa e reprodução. O que significa dizer que a sensibilidade técnica e lucidez intelectual do cientista devem atentar para que suas observações, e consequentes percepções, não sejam expressas ou viciadas pela ótica primária e instintiva de conservação.

Quando a razão é absorvida pelo fisiologismo instintivo, as demandas ortodoxas, diretrizes do pensamento inteligente, responsáveis por imprimir selo de legitimidade no conhecimento e pronunciações científicas, cedem espaço para as demandas sensoriais fisiológicas, diretrizes das pulsões instintivas, responsáveis por induzir atitudes e ações, posturas e omissões voltadas ao atendimento da fome, da proteção e da reprodução. Circunstância que reproduz na consciência humana temperamento e estratégia primária de animais inferiores, incrementando egoísmo para provisão da fome, violência como técnica de proteção, e libidinagem como garantia de reprodução.   

Se o pensamento científico se deixa absorvido pelo fisiologismo instintivo, suas observações darão margens para experimentos contraditórios, que serão lastreados por discernimentos temperamentais que anunciarão distorção como se fosse produto de ensaios e experimentos legítimos.

∆. Religião – Sendo a religião o “conjunto de práticas e princípios que regem a relação entre o homem e a divindade (Minidicionário de Ruth Rocha)”, então, religiosos devem atentar para o fato de que o “sagrado”, conotação de um entendimento científico onipotente, traduzido ao alcance do entendimento do homem primitivo, conotado como “encanto”, agora, sob o terceiro decênio do século XXI, com a expansão e vulgarização do conhecimento a partir de abertura e viabilização do acesso a informações para todos, cabe às religiões a desmistificação de seus cultos e doutrinas, e a divulgação e interpretação do conteúdo da “mensagem criacionista” sem exageros nas conotações.  

Para que o sagrado, revelação metafórica de conhecimento científico transcendente, seja traduzido ao entendimento humano sem deformações, há necessidade de que o “sacerdote” abdique das amarras fisiológicas que subordinam a razão inteligente às demandas da condição biológica autônoma e irracional.  O que significa dizer que o discernimento humano está sujeito a pronunciações instintivas primárias, oriundas de necessidades fisiológicas e do processamento fisiológico vital. Que, então, o homem – o sacerdote –, se não detiver formação pessoal que lhe desperte capacidade de autoconhecimento para gerenciamento de sua própria razão, terá dominante sobre seu subconsciente “orientação fisiológica inata” que dita cronicamente que tudo deve ser feito objetivamente para a conservação.  O que induz discernimento de que a mesma compleição temperamental que rege criaturas inferiores para alimentação, defesa e reprodução atuará com indesejável acesso e poder de decisão sobre as apreciações, considerações, projeções e deliberações do pensamento sacerdotal. É como se as deliberações racionais humanas estivessem subordinadas incondicionalmente a imposições fisiológicas do Sistema Nervoso Autônomo.  Impondo uma atmosfera sensorial fraudulenta que, assim como a respiração, a temperatura corporal e a frequência cardíaca se fenomenizam sem serem controladas pela razão, emboscará a consciência levantando pensamentos contraditórios, isentos do crivo de uma razão sóbria, alimentada e organizada pelo autoconhecimento do processamento fisiológico racional.

Σ. Orgulho – O orgulho pode ser reproduzido na razão a partir da sintetização da possessividade predatória animal – reflexo das atividades funcionais fisiológicas vitais – com a leitura ou percepção social e econômica fornecida pela razão intelectualizada.

Quando a consciência vem dominada ou fortemente influenciada pelas vontades instintivas, atitudes e ações, posturas e omissões passam a ser distorcidas, traindo a própria percepção inteligente da razão em que vem assentada.

Quando a consciência vem subordinada ou fortemente influenciada pelas convicções eruditas científicas, atitudes e ações, posturas e omissões passam a ser sóbrias, convergindo com a própria percepção inteligente da razão em que vem assentada.

Então, o orgulho pode se manifestar legitimamente em função da satisfação consciente de se ter praticado atitudes e ações, posturas e omissões que não afligem a dignidade humana; ou se manifestar viciosamente em função do prazer elementar, metabólico e fisiológico, que burla a inteligência e coloca o espírito (entendimento) a serviço de atitudes e ações, posturas e omissões que impõe a Estrutura Intelecto-orgânica Humana o modo irracional de viver.

Por isso, a ciência deve entender e recepcionar fundamentos religiosos que anunciam verdades científicas; e a religião deve entender e recepcionar fundamentos científicos que norteiam e que devem nortear o pensamento religioso.

1. Verdade – Quando a verdade é relativizada em função das culturas, a legitimidade das atitudes e ações, posturas e omissões humanas se torna vulnerável ao grau de discernimento absorvido e desenvolvido por cada indivíduo dentro de cada sociedade.

A Estrutura Intelecto-orgânica Humana é regida por fenomenização genética que pode ter atestada matemática, física e quimicamente as razões de sua vitalidade sem que incida em relativização. A relativização da verdade, de modo geral, é produzida pela subordinação da razão a imposições instintivas que buscam incessantemente a manutenção da vida biológica a partir da captação e da vasão de recursos para satisfação das necessidades básicas de conservação.

Quando a Inteligência retrocede, criando artifícios para justificar domínio pulsativo fisiológico primário, que interfere além de suas atribuições básicas, o que faz para garantia da conservação, isso denuncia que o conjunto das faculdades psíquicas, morais e intelectuais – a alma humana – está sendo regido por ímpeto fisiológico que não distingue atitudes e ações, posturas e omissões sóbrias de atitudes e ações, posturas e omissões temperamentais. O que significa dizer que ocorre um “lapso intelectivo na razão”, decorrente de estímulos vitais fisiológicos responsáveis por, antes de qualquer outra coisa, assegurar a manutenção e orientação dos sentidos para satisfazer as necessidades básicas de conservação.

A verdade, então, passa a ser rejeitada. E tal rejeição soa pouco perceptível para a razão, pois, assim como a fome extrema induz um animal, inferior ou não, a se alimentar com a carne de indivíduos da sua própria espécie, tais estímulos fisiológicos, decorrentes das necessidades de alimentação, defesa e reprodução, ofuscam a razão induzindo-a a produzir distorções. Consequentemente, na razão e na consciência, a verdade passa a ser flexibilizada, sendo relativizada em defesa da garantia da expressividade fisiológica que não se exime em defender as pulsações vitais responsáveis pela vitalização de todo o Sistema Intelecto-Orgânico humano (defender a vida orgânica).  

A verdade percebida e discernida por pensamento livre das induções temperamentais instintivas, conflita com a verdade percebida e recepcionada por pensamento usurpado pelas moções fisiológicas primárias. Então, a verdade, conforme entendida e absorvida – inteligente ou instintiva –, tem a propriedade de induzir, sobriamente, atitudes e ações, posturas e omissões socioconstrutivas; ou induzir, temperamentalmente, atitudes e ações, posturas e omissões contraditórias.

O conceito de temperamento auxilia enormemente o entendimento da abrangência das atividades fisiológicas no psiquismo humano, pois, mecanismos bioquímicos e nervosos excitam processamento vital fisiológico:

Temperamento = Parte do psiquismo relacionada à estrutura corporal, mediante mecanismos bioquímicos e nervosos (Mini Dicionário Aurélio).

2. Mentira – Mentir é antônimo de dizer a verdade. Podemos presumir, então, que a mentira é temperamental, que induz atitudes e ações, posturas e omissões contraditórias.

Humanos carecem de perseguir a verdade por estarem sujeitos a orientações ambíguas que sustentam a intelecto-organicidade inteligente. O que significa dizer que a verdade irracional está sujeita a manutenção da alimentação, defesa e reprodução; enquanto a verdade inteligente está sujeita a manutenção da subsistência e de um conjunto de regras que somam e que devem garantir vida socioemocional sustentável entre os homens.

Mentira, então, para humanos, é se deixar monopolizado pela volúpia volitiva fisiológica responsável por excitar vida biológica primária tão e somente para conservação – alimentação, defesa e reprodução.

Preso a entendimento que discerne e se orienta a partir de valores pessoais contidos em sua razão, o ser humano incorre em ser traído por sua razão em decorrência de tais valores incidirem em sua consciência como orientações fisiológicas destinadas a criar atitudes e ações, posturas e omissões voltadas somente para atendimentos de demandas fisiológicas vitais. O que significa dizer que a mentira se levanta para atender atmosferas socioemocionais pessoais, alicerçadas em presunções instintivas, alimentadas por intuições emulativas irracionais. Então, a mentira, antônimo da verdade, se levanta para compensar limitações pessoais diante de circunstâncias adversas. Circunstâncias, tais, como “verdades que rivalizam e incomodam socialmente”, que são percebidas como provocação a partir de coação fisiológica do instinto sobre razão fragilizada.

3. Egoísmo – Traço de comportamento animal irracional inferior sintetizado nas atitudes e ações, posturas e omissões humanas.

Sendo o egoísmo “amor excessivo ao bem próximo, sem consideração aos interesses alheios (Mini Dicionário Aurélio), tal sentimento ou orientação pulsativa temperamental está associada a posturas de animais irracionais para manutenção de território e da subsistência. O que significa dizer que, quando manifestado nas atitudes e ações, posturas e omissões humanas, o egoísmo revela sincretização do modo primário e irracional para subsistência animal regendo performance para comportamento pessoal e social humano.

É entendível que todas as coisas, associadas a comportamento primitivo, aflijam a alma humana, pois o homem vem montado em duas faces. E essas faces constituem a Estrutura Intelecto-Orgânica que caracteriza o homem como animal inteligente e social. Contudo, a “face instintiva” humana, denominada “face comum” pela autarciologia, presente em racionais e irracionais, traz, consigo, demandas e orientações que impulsionam atitudes e ações, posturas e omissões conforme estratégia e performance instintivo-inferiores. Então, é entendível que o homem precise abater aves, leporinos, ovinos, suínos, bovinos, etc., no entanto, a estratégia, do homem, para abate e para consumo, deve ser orientada por sua “face intelectual”. O que significa dizer que as orientações primárias, levantadas na razão em resposta a determinações fisiológicas instintivas, devem ser analisadas, filtradas e equalizadas conforme demanda de vida social inteligente, antes de serem aplicadas. Ou seja, a manifestação de “egoísmo” nas atitudes e ações, posturas e omissões humanas deve ser desterrada para não produzir prejuízos imorais a personalidade alheia, e para não alimentar embates desnecessários em decorrência da subordinação da pronunciação inteligente a demandas inferiores da instintividade.

4. Inveja – O ímpeto instintivo de dominação irracional que se levanta contra todos os obstáculos que coloquem em risco o suprimento de alimentação, de defesa e de reprodução no mundo animal, na razão humana se manifesta como inveja.

Observe que, na circunstância estudada, o ímpeto é uma manifestação súbita instintiva orientada para garantia de provisões materiais, estratégicas e sexuais que dinamizam a conservação das espécies. Podendo ser, tal ímpeto, apenas um esbravejar irracional, demonstrando e alertando a um concorrente desavisado que sua invasão a um território físico ou emocional poderá ser retaliada com violência; ou uma manifestação física, súbita e violenta, diretamente contra o desavisado concorrente.

A inveja, definida como “desejo violento de possuir o bem alheio (Mini Dicionário Aurélio)”, sincretiza nas atitudes e ações, posturas e omissões humanas, comportamento violento animal para manutenção da subsistência dentro do mundo selvagem irracional. Observe, no entanto, que a selva se estabelece como dimensão para a vida em que o instinto funciona como orientador e regulador das criaturas. O que significa dizer que criaturas primárias, irracionais, utilizam-se da violência para satisfazer demandas básicas de conservação. Sendo o instinto animal de dominação aplicado tão e somente para satisfação de necessidades básicas primárias. Então, quando o animal irracional percebe seu território, ou indivíduos pertencentes a seu domínio instintivo, sendo alcançados por estranhos a sua intuição genética dominante, a possessividade instintiva irracional, que teoricamente é sincretizada como inveja na razão humana, entra em ação tão e somente para a garantia de alimentação, defesa e reprodução.

Observe que a prévia atmosfera sensorial de violência instintiva, de vigilância contra inoportunos desafios ou ameaças de outrem a acervo de dominância instintiva animal, é sincretizada na razão humana com o que denominamos “inveja”. Ou seja, o sentimento de inveja é alicerçado por orientação fisiológicas instintivas que, se não obstruído ou gerenciado pela razão, prosperará em prejuízo de outrem e patrocínio do levantamento de contendas e emulações.

 Sentir inveja não é algo incomum, pelo contrário, tal sentimento é parte de um mecanismo fisiológico vital que dissimula na razão sensações experimentadas por uma fera diante de uma ameaça a seu domínio territorial ou a seu acervo instintivo animal. Então, para que tal sentimento não se desdobre em infortúnios, a face intelectual humana, que deve ser representada por uma razão sóbria, tem o dever intelecto-orgânico de ajustar tal sentimento a um padrão socioemocional sustentável. O que somente se torna possível mediante o domínio da face intelectiva sobre a face instintiva humana.

Observe, então, que não é porque sinto atração sexual por um espécime humano que devo “sexualizar” com tal espécime a qualquer custo. O que passa pela mente diuturnamente são reflexos de orientações instintivas primárias responsáveis por excitar funcionamento vital da Estrutura Intelecto-orgânica Humana. É possível aprender a racionalizar tais sentimentos a partir de autoconhecimento de como os fenômenos fisiológicos se processam e conseguem emboscar a razão humana. Então, o homem é o que ele se permite ser, e o que ele se permite ser é, em maior ou menor grau, influenciado pelas culturas. Culturas, no entanto, devem ser retificadas por informações inteligentes que não se deixem a mercê das orientações instintivas irracionais, inferiores. Mesmo porque, cultura é sincretização do instinto em performances socialmente aceitáveis, mediante acuidade intelectual. O que não exclui dominância instintiva sobre deliberações relativistas ditas inteligentes.

5. Preconceito- As orientações genéticas que instruem o processo fisiológico elementar são voltadas para manutenção, adaptação e evolução humana. Impõe ao Sistema Intelecto-orgânico processamento fisiológico espontâneo responsável pela vitalização de tal sistema. Então, a manutenção do Complexo Orgânico vivo é resposta de funcionalismo fisiológico autônomo, que, além de excitar vitalidade, influencia, também, a formação de convicções.

Em se considerando somente a face instintiva humana, é convicção genética, sustentada por lógica matemática que instrui fenômenos como a “inseminação”, assegurar que toda produção fisiológico-orgânica e fisiológico-intelectiva, traduzidas em atitudes e ações, posturas e omissões, venha convergir para a justificação das especificações matemática, química e física que dão forma e estrutura a vida biológica. Todavia, o ser humano é caracterizado por possuir uma face instintiva e uma face intelectiva, o que induz entendimento de que as orientações e pronunciações percebidas de uma só das faces pela razão, da face instintiva, no caso, induz discernimento afinado com aptidões, demandas e orientações primárias para conservação da vida irracional sem considerar as demandas inteligentes produzidas pela face intelectiva racional.  O que significa dizer que, quando o homem discerne e delibera tão e somente em função de sua face instintiva, suas atitudes e ações, posturas e omissões passam a reproduzir comportamento frio e predador, similar a comportamento irracional, em relação ao outro da própria espécie e, especificamente, em relação a etnias, raças e espécies distintas da sua. 

O sentimento de preconceito, então, é alimentado por discernimentos e deliberações impostas pela face instintiva quando a face intelectual vem escravizada pela força vital de sua fisiologia.

Perceber, em si mesmo, preconceito manifesto em pensamentos, não sinaliza cometimento de “pecado” ou “transgressão racional” … Preconceitos são sombras de performances induzidos, por orientações genéticas, no temperamento de animais inferiores. E, como homens e animais possuem uma face comum – a face instintiva, que vem instruída sob orientações genéticas para a garantia da conservação -, é “normal”, então, que os ruídos da primariedade embosquem a consciência ou razão, vez ou outra. “Anormal”, no entanto, é permitir que pronunciações da primariedade passem a reger a razão e determinar atitudes e ações, posturas e omissões incompatíveis com a possibilidade de reflexão e discernimento entregue ao “homo Intellectus Oganicum”.

6. Ciúmes – Reflexo de manifestação funcional fisiológica que tem como função emitir impulsos de orientação e impulsos de solicitação responsáveis por excitar processamentos vitais que orientam atitudes e ações, posturas e omissões para a garantia de performances em defesa da reprodução.

É a possessividade irracional, animal inferior, se manifestando em defesa de seu território emocional para proteção e garantia de futuras inseminações. Ou seja: são reflexos de orientações genéticas que incidem sobre a fisiologia exigindo tensão fisiológica de orientação para garantia da conservação.

As pulsões fisiológicas, que excitam a geração de atitudes e ações, posturas e omissões temperamentais, são processamentos elementares na Estrutura Intelecto-orgânica em prol do atendimento das demandas de alimentação, defesa e reprodução. Representam processo para vitalização e manutenção de vida biológica inteligente e não inteligente. Para a autarciologia, o conjunto de fenômenos responsáveis por excitar, manutenir, conservar e assegurar a perenização das espécies animais, em especial os mamíferos, é denominado Face Comum (Face Instintiva). Tal denominação se fundamenta na existência desta mesma face em humanos e animais.

 A Autarciologia revela a existência de um animal inferior dentro de cada humano. Sendo que tal criatura se manifesta autonomamente através de atitudes e ações, posturas e omissões temperamentais. Fala em línguas estranhas, se alimenta, se defende e se reproduz a partir de posturas inferiores temperamentais. É a “coisa em si da fisiologia”. É o “noumenon fisiológico”.

Uma pessoa temperamental é uma pessoa que é coagida pelas orientações sensoriais de sua fisiologia. Sendo o temperamento um estado fisiológico que se levanta e dá características primárias para atitudes e ações, posturas e omissões humanas.

É importante ressaltar que fenômenos bioeletricoquímicos, que excitam o Sistema Nervoso, são responsáveis por vitalizar processos mentais conscientes e inconscientes. E tais processos são responsáveis por dar estrutura emocional para a construção do discernimento. Vulnerabilizando a razão, que deve discernir inteligentemente, a deliberar mediante coação ou influência primária fisiológica. O que pode ocorrer em decorrência de variações ou deficiências nas fenomenizações bioeletricoquímicas, ou em decorrência da falta de discernimento intelectual em função de uma razão fragilizada por vir assentada sobre uma Face Intelectual (razão intelectiva) pouco orientada, ou equivocamente alimentada com informações que não asseguram o autoconhecimento dos fenômenos fisiológicos que influenciam, norteiam ou desnorteiam a construção do entendimento.

Ciúmes, então é uma manifestação primária, no entanto, natural, que deve ser contida por uma razão autarciologicamente orientada. Ainda que sua motivação venha orientada por variação ou deficiência na atividade bioeletricoquímica vital.

7. Vergonha – Sendo a vergonhaSentimento penoso de desonra ou humilhação perante outrem (Mini Dicionário Aurélio)”, então, o sentimento de vergonha se estrutura sobre possível limitação de uma pessoa diante de uma outra pessoa, ou perante uma determinada circunstância social, ou, ainda, perante uma determinada circunstância sensual.

Convenções sociais impõe padrões socioculturais que distinguem a sociedade em camadas sociais. Informações ortodoxas, que fundamentam doutrinas que orientam tal distinção, podem vir regidas inocentemente pelo ímpeto da tensão temperamental que norteia a predação irracional, ou, conscientemente, pelo dolo de se deixar seduzido por força primária instintiva. Então, as relações humanas se estreitam a partir de uma dominância predatória que vem de cima, e que incide em observância temerária de presa que vem debaixo. E essa relação socioexistencial, que rege o poder político e o poder aquisitivo, assim como desperta conflitos e emulações entre as pessoas, desperta, também, vergonha. O que ocorre em decorrência de entendimento que não deixa de observar e perceber, ainda que inconscientemente, que sua vulnerabilidade diante de limitação induz subordinação e obliteração para melhores possibilidades políticas e de aquisição.

Vergonha, em relação a circunstância sensual, está diretamente associada a constrangimentos sensuais; constrangimentos sociais, no entanto, para a autarciologia, é instrumento sensorial que orienta e auxilia na identificação e percepção identitária sensual pessoal.

QUANDO A razão identifica “diante de alguém ou de alguma circunstância”, que represente obstáculo ou concorrência, que uma limitação pessoal aflige ou ofusca a capacidade de alcançar alimentos, proteção individual e reprodução, os sentidos se encolhem, a coisa em si da fisiologia, o noumenon fisiológico – a criatura – se manifesta, ressentindo-se diante de sua incapacidade de granjear provisão, caracterizando vergonha. É a contração do Sistema Fisiológico Humano anunciando uma ameaça a subsistência elementar vital. Contudo, razão autarciologicamente orientada não se abate, não se aflige e nem se ofusca diante de tal opressão. Isso porque a autarciologia induz entendimento de que sentimentos, como a vergonha, devem funcionar apenas como um alerta anunciando uma verdade indesejável, no entanto, mutável. E de que – a vergonha – é produto de atividade fisiológica bioeletricoquímica, e que por isso deve ser entendida apenas como instrumento de orientação.

Ω. Após arrazoar sobre “ciência, religião, orgulho, verdade, mentira, egoísmo, inveja, preconceito, vergonha e ciúmes, entramos, então, no universo da educação segundo a ótica da Autarciologia.

Discorremos, então, sobre duas grandezas fundamentais na criação, doutrinamento, desenvolvimento e evolução da raça inteligente humana – ciência e religião.

Para a autarciologia, religião, especialmente quando se firma sob os fundamentos anunciados no Antigo e Novo Testamento, é instituto devocional que aplica conhecimentos científicos, transliterados, inicialmente, como doutrinas místicas, para alcance do homem originário e seu desenvolvimento socioemocional sustentável. Um exemplo técnico disso, na visão autarciológica, é a circuncisão de Abraão, personagem bíblico.

Para a autarciologia, a circuncisão de Abraão, em uma sociedade patriarcal, em que o homem detinha, diante de sua família, todo o poder de liderança e de deliberação sobre os rumos de suas vidas; em que a honra era defendida a fio de espada; em que infamar ou tocar a sexualidade e virilidade masculina era algo impensável, simbolizou um marco para o adestramento, organização e viabilização do desenvolvimento de pensamento racional conduzido por razão doutrinada conforme as demandas de ensinamentos cabidas ao processamento intelecto-orgânico inteligente. O que significa dizer que a circuncisão de Abraão simboliza o início de período secular humano em que as preocupações do “Intelecto Ordenador” passaram a ser dirigidas para a formação e evolução socioemocional inteligente da raça humana. Uma sinalização transcendente para a queda do instinto como preceptor e dirigente da razão emocional humana.

 A ciência deve desvelar a complexidade do Sistema Intelecto-orgânico humano sem se deixar reger por devaneios lastreados na volição funcional fisiológica e metabólica. Assim como ideologias religiosas devem se desapegar do encanto, que seduz, e viver espiritualidade que reflita entendimento sóbrio, não subordinado a volições da “coisa em si da fisiologia – da criatura”.

Políticas Educacionais, então, devem considerar a existência de duas faces que espreitam da natureza intelecto-orgânica humana – face instintiva e face intelectiva -. O que significa dizer que, quando se pensa em processos e procedimentos educacionais, o pensamento organizador e promotor de doutrinas didático-pedagógicas deve atentar para as peculiaridades de cada uma das faces humanas.

Se a construção identitária humana é baseada em demandas da fisiologia e demandas da sociabilidade, e o ímpeto fisiológico vital é inato, involuntário e atuante nos seres vivos, enquanto o ímpeto sociológico inteligente é uma semente que não germina eficazmente se não for granjeado adequadamente dentro de cada comunidade, então, políticas educacionais humanas devem considerar que as demandas da Face Intelectiva Humana não podem ser legitimamente atendidas se os processos e procedimentos didáticos e pedagógicos vierem subordinados a percepção, demandas e orientações da Face Comum Instintiva.   

Por de trás de atitudes e ações, posturas e omissões conscientes, intelectualmente orientadas, deliberadas pela face intelectiva humana, há uma série de temperamentos influenciando ou tentando influenciar cada atitude, cada ação, cada postura, cada omissão. E essa dinâmica involuntária e fisiológica tem como objetivo vital nortear toda e qualquer atitude e ação, postura e omissão para convergir a busca por alimentação, defesa e reprodução. É “a coisa em si da fisiologia”; é a tensão fisiológica elementar ininterruptamente tentando assegurar vitalização, segurança e conservação.

Orientações sensoriais anunciadoras da fome, assim como orientações sensoriais anunciadoras do medo, assim como orientações sensuais anunciadoras da libido têm a propriedade de ofuscar a razão. O que significa dizer que a razão tem sua autonomia gerencial sobre as manifestações temperamentais instintivas comprometida quando a Estrutura-Intelecto-orgânica humana é submetida a sensação de fome, sensação de ameaça e a sensação libidinosa. O que ocorre em decorrência de processamento fisiológico vital, natural no Sistema Nervoso, que ao excitar fome, excitar medo e excitar libido expõe parcialmente o estado de equilíbrio emocional e de domínio racional a dominância de um estado sensorial e emocional que move animais e humanos para atitudes e ações, posturas e omissões primárias, compromissadas unicamente com a conservação.  

ARRAZOAMOS sobre “ciência, religião, orgulho, verdade, mentira, egoísmo, inveja, preconceito, vergonha e ciúmes. Pudemos verificar que, em tudo, a força fenomenal vital fisiológica atua. E que o ser humano é constituído em duas faces, sendo que sua Face Comum, a que animais irracionais também possuem, é inata e atua involuntariamente; e que sua Face Intelectiva, a que animais não possuem, ao menos em grau de resolução análogo a do homem, é como uma semente, que, embora venha plantada na Estrutura Intelecto-orgânica, carece de cuidados e de adequação a demandas de sua orientação genética. Então, políticas educacionais devem assegurar que o desempenho da face intelectual humana não seja usurpado pela face instintiva, evitando a produção de conflitos e entendimentos desfocados que distorcem a percepção das reais demandas das duas faces humanas.