1. Quando o conjunto das faculdades psíquicas, morais e intelectuais – a alma – se encontra subordinada ao instinto, a capacidade de distinguir a mentira da verdade é comprometida em função do atendimento das demandas vitais de alimentação, defesa e reprodução.
Se o lastro que assegura minha riqueza, por exemplo, é constituído pela violência, morte e maus tratos das pessoas menos favorecidas, não conseguirei identificar vínculo entre a desgraça alheia (que sustenta minha riqueza) e minha fortuna. Isso ocorre porque é a riqueza que patrocina minha melhor alimentação, melhor proteção, e melhores possibilidades para a reprodução (vazantes para a libido).
Assim como o cavalo selvagem cede ao adestramento após um intrigante procedimento de doma, e se sujeita a carregar sobre seu lombo o peso indesejável do domador, tão e somente para assegurar a continuidade de vida (alimentação, defesa e reprodução), o homem tem sua consciência cauterizada pelo domínio do instinto que interpreta a violência, a morte e maus tratos dos menos favorecidos como uma moção natural para garantia da alimentação, defesa e reprodução.
a ciência identifica e atesta essa verdade; a teologia mistifica; e as instituições, religiosas e não religiosas, transformam-nas em doutrinas. Tais doutrinas, no entanto, caracterizam-se por distinguir a mentira da verdade a partir de entendimentos humanos que podem estar ou não coagidos pela vontade fisiológica instintiva primária.
Na autarciologia, “moral significa domínio próprio”. Então, para aprender como conter e equilibrar as pulsões instintivas, é importante conhecer como se processa atividade fisiológica primária, voltada para alimentação, defesa e reprodução, e suas implicações na orientação da consciência.
2. Sendo o espírito a “disposição de entendimento” que habita uma Estrutura Intelecto-orgânica, então o homem é guiado por personalidade construída em função das emulações entre a funcionalidade fisiológica – inata e natural –, e a complexidade intelectiva – transcendente e ortodoxa.
A sustentabilidade socioemocional nas sociedades varia em função do nível e da qualidade da harmonia que, primeiramente, o ser humano consegue estabelecer em sua própria consciência. Então, para que haja sociedades saudáveis, libertas da opressão naturalmente impostas pela tensão instintiva primária, responsável pela vitalidade e pela conservação – alimentação, defesa e reprodução –, é necessário que doutrinas educacionais humanas estimulem o autoconhecimento para tornar possível o gerenciamento e orientação do “espírito” pela inteligência.
quando a voz da ciência não é usurpada pela “criatura”, ou seja, não é usurpada pelas “demandas funcionais fisiológicas responsáveis pela vitalidade e pela conservação”, o conteúdo de suas pronunciações serve para orientar procedimentos e doutrinas educacionais para que convirjam para formação e configuração de razões sócio e emocionalmente desengessadas, livres das garras da fisiologia (instinto).
a subordinação da alma* e do espírito** a forças vitais fisiológicas que orientam a fome, a agressividade e a sexualidade induz escravização da inteligência e consequente potencialização do temperamento irracional instintivo e sua dominação sobre as atitudes e ações, posturas e omissões humanas.
* alma = conjunto das faculdades psíquicas, intelectuais e morais.
**espírito = disposição de entendimento
3. Pulsões Fisiológicas* são orientações instintivas para conservação e manutenção da subsistência. Constante congênita fundamental para animação, manutenção, reprodução e conservação da vida biológica.
Pulsôes Inteligentes** são orientações para a conservação e manutenção da “sustentabilidade socioemocional humana”. Passo fundamental para evolução e perpetuação racial sob direção de um Sistema Nervoso altamente adaptado para reconhecer, monitorar, limitar e equalizar as influências instintivas sobre a razão. De modo que a inteligência não permita que sublevações pulsativas fisiológicas, primárias, transforme superior identidade intelecto-orgânica em inferior identidade instintiva-orgânica irracional.
O modo como me visto, por exemplo, tem a propriedade de denunciar o grau de subordinação que minha inteligência permite ou que o instinto impõe sobre minha razão. Se alguma vestimenta, que opino usar, expõe sensualmente meu corpo, sem real necessidade, e minha percepção ou acolhimento dessa conduta me parece “consciente”, no entanto, me causa algum embaraço ou constrangimento sensual diante de outrem, isso denuncia que tive as concepções e discernimentos de minha faculdade de inteligência atropelados pelas deliberações fisiológicas instintivas. Que, emocionalmente, ao menos em relação a esta dada circunstância, tive minha inteligência monopolizada (explorada ou subordinada) pela orientação instintiva.
Quando minha inteligência é usurpada ou atropelada pelo instinto, toda minha capacidade de discernimento e de deliberação é comprometida, passando a se sujeitar a imposições sensoriais que somente orientam atitudes e ações, posturas e omissões primárias para busca da conservação – clamor por satisfação pessoal, sensual e metabólica, imediata. Um ímpeto animalesco por alimentação, agressividade e reprodução (expansão primária da libido).
* Pulsões fisiológicas → impulsos fisiológicos para alimentação, defesa e reprodução.
** Pulsões inteligentes → impulsos fisiológicos que transportam informação inteligente.
4. Intituições místicas, especificamente as que se norteiam pelo “Antigo e Novo Testamento”, de modo geral, buscam anunciar tudo o que se presume ser desejável; contudo, anunciam todas essas coisas, nem sempre orquestradas pelo que é razoável.
O pensamento religioso, antes de qualquer outra coisa, deve vir orientado por pensamento livre de orientações primárias instintivas. Sendo, o pensamento científico, quando não subordinado a tais orientações primárias, portador de informações legítimas para construção e refinamento das bases de doutrinas religiosas seculares.
Admitir que a legítima ciência deve orientar doutrinas religiosas é reconhecer e admitir que os mandamentos que devem viger sobre vida biológica inteligente são ditados pela genética humana em sua matematicidade, que converge física, química e matematicamente para uma lógica verificável. Verificável é, então, que “Escrituras Doutrinárias Sagradas”, recepcionadas por ideologias religiosas, expressam “ciência de processamento de como se deve configurar e operar Vida Biológica Inteligente – complementam, assistem e orientam a fisiologia do “homo intellectus organicum”.
Dizer que o pensamento religioso deve se orientar pelo pensamento científico, significa afirmar que a metodologia metafórica, amplamente observada nas Escrituras Sagradas, são procedimentos didático-pedagógicos utilizados para alcançar o entendimento de uma espécie biológica inteligente em processo de formação. Caracterizam a onipotência de um “Criador” utilizando-se de conhecimento, que tão e somente “Ele” detém, para ditar diretrizes e normas para adestramento e organização de vida biológica inteligente em estágio de aperfeiçoamento.
O modo operacional do sistema nervoso autônomo, independente e objetivamente dirigido para conservação da vida biológica, gera ruídos sensoriais na razão, demandando, em seres inteligentes, equalização do pulsar dos sentidos para que a consciência não se equivoque e passe a produzir distorções.
5. Quando o pensamento científico é subjugado pelas orientações primárias, reflexos da tensão fisiológica que excita vitalidade no sistema intelecto-orgânico humano, as pronunciações científicas passam a ser expressas em função das necessidades básicas para subsistência orgânica. As pulsões fisiológicas que animam atitudes e ações, posturas e omissões, em atendimento a demandas de “fome”, de “proteção” e de “reprodução”, por exemplo, usurpam a razão humana sujeitando-a a produzir orientações temperamentais e predatórias. Patrocinam atitudes e ações, posturas e omissões caracterizadas por ímpeto ou modo operandi primário e irracional para satisfazer demandas inteligentes e sociais. O que significa dizer que a estratégia irracional, animal inferior, ganha voz nas manifestações humanas, contaminando o conteúdo e o objetivo das pronunciações científicas.
O autoconhecimento da performance inata e involuntária do processamento fisiológico vital, e o reconhecimento da vulnerabilidade da razão e da consciência diante dos reflexos conservacionistas da tensão fisiológica, habilita mentes imunes a artimanhas biológicas. Blinda o pensamento comum e o pensamento científico das interferências instintivas que distorcem o entendimento a partir do sequestro da razão e atrofia do discernimento.
A subordinação da razão científica a insinuações sensoriais fisiológicas gera distorções e consequente prejuízo a pesquisas e ao conhecimento. O que ocorre em decorrência do levantamento de atmosfera emocional que induz deliberações contraditórias, científicas ou não.
Os ensaios e pesquisas científicas têm o condão de orientar e justificar ou não os alicerces dos procedimentos, processos e doutrinas humanas. Quando o cientista se deixa ser subjugado por forças primárias, previsíveis e controláveis, o produto de seu entendimento passa a professar conhecimento distorcido pela atividade fisiológica vital. E isso implica a subordinação da inteligência a orientação instintiva, retrocesso moral humano.
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6. Para a autarciologia, a sensualidade é expressão sensorial orientada por subdivisões do gênero. Tais subdivisões, denominadas hemigêneros, são reflexos de orientações hormonais que adjetivam e caracterizam compleições físicas e temperamentais em masculinas ou femininas.
O gênero humano, então, é constituído por hemigêneros. Tais hemigêneros induzem intuição sobre o que é de macho e o que é de fêmea na orientação identitária humana. Auxiliam o discernimento da masculinidade e da feminilidade, mutuamente.
Homem e mulher possuem, cada um, um par de hemigêneros. Tais hemigêneros comuns adjetivam funcionalidade fisiológica e dominância de orientação sensual inversamente proporcional entre machos e fêmeas (homem possui um hemigênero alfa e um hemigênero beta; mulher possui, também, um hemigênero alfa e um hemigênero beta. [Homem e mulher se distinguem pela dominância sensualmente inversa de seus hemigêneros alfa]).
O Hemigênero Alfa, dominante no homem, e o Hemigênero Alfa, dominante na mulher, fenomenizam suas funcionalidades no arvorar da percepção sexual e sensual, pessoal e alheia, auxiliados pelos seus respectivos HEMIGÊNEROS BETA.
O Hemigênero Beta, auxiliar identitário no homem, “sensualmente inverso” ao seu respectivo hemigênero alfa, e o Hemigênero Beta, auxiliar identitário na mulher, também “sensualmente inverso ao seu respectivo hemigênero alfa”, fenomenizam suas funcionalidades no arvorar da percepção sexual e sensual, auxiliando a construção e percepção identitária pessoal e alheia em homens e mulheres, respectivamente.
O CONHECIMENTO da “Teoria da Fisiologia do Gênero” auxilia e suaviza, na razão, o processo natural de percepção sensual identitária. Desmistifica as percepções e orientações sensuais racionalizando e suavizando o processo de autoconhecimento identitário e suas implicações.
Entenda, segundo a “Teoria de Fisiologia de Gênero”, como fenômenos sensuais se estruturam e se manifestam dentro da razão (embora filosófico, esse entendimento é um marco para a revolução, desprendimento e emancipação da razão humana).
7. Sistema Reprodutor distinto e complementar entre machos e fêmeas destaca a complexidade de um mecanismo biológico multiplicador que tem sua eficácia verificada quando acoplado físico e quimicamente a seu coadjutor genético natural.
A sexualidade é traduzida pela conjunção anatômica, funcional e fisiológica do conjunto de órgãos que fenomenizam o processo de reprodução humana. E todas essas coisas são ratificadas pela verificabilidade das orientações genéticas que atuam sobre a Estrutura Intelecto-Orgânica e que convergem matemática, física e bioquimicamente para multiplicação e reprodução da vida.
A força motriz que orienta e move o ser humano para a vida é a mesma força motriz que move o ser humano para reprodução. Suas orientações libidinosas, inatas, avançam para norte e para sul, para leste e para oeste, indiscriminadamente… O que importa é gerar vazão para os insumos genéticos que clamam vigorosamente por fecundação.
Inteligência, então, aptidão inata humana, “deve se servir de se orientar e se subordinar pela verdade genética natural”, administrando, orientando e subordinando a força motriz irracional. Patrocinar, então, sustentabilidade socioemocional pessoal e coletiva.
A razão instintiva, didático e pedagogicamente inata, é adversária e, ao mesmo instante, instrumento a ser lapidado, orientado e gerenciado por razão intelectiva didático e pedagogicamente dependente de formação (educação). Quando a razão intelectiva não é ajustada e configurada por processos e procedimentos educacionais viáveis a sua complexidade, o padrão genético para a conservação poderá ser desorientado. E as unidades funcionais orgânicas que atuam diretamente nos processos reprodutivos, embora mantenham suas funcionalidades, terão suas orientações sensuais fisiológicas instabilizadas.
O homem é um ser movido fisiologicamente por impulsos químicos e elétricos. Tais impulsos têm a propriedade de serem gerados a partir de percepções sensoriais e de orientações inteligentes. Informações têm o poder de estimular a produção de estímulos. Tais estímulos poderão ser orientados em função da matematicidade genética; ou poderão ficar a disposição de relativizações produzidas pela inteligência, sob influência fisiológica elementar, em decorrência de falta de autoconhecimento da complexidade das fenomenizações funcionais fisiológicas.