Autarciologia - Introspecção Doutrinária III

1. Elementarmente o homo intellectus organicum é movido pelo instinto, mas essa mobilidadade não deve gerenciar atitudes e ações, posturas e omissões cabidas ao gerenciamento intelectivo.

1ª evidência – Emulação entre razão e instinto.

ILUMINANDO – Se desejo deixar de fazer algo e não consigo deixar de fazer, significa que existe ambiguidade em mim… Religiosamente, tal ambiguidade é denominada “carne e espírito”; na autarciologia, contudo, tal ambiguidade é denominada “fisiologia e disposição de entendimento”. Sendo que, independentemente da denominação, causa divergências entre o razoável e o instintivo, entre o prudente e o negligente.

Conclusão: O Sistema Intelecto-Orgânico, como um todo, é palco de fenômenos bioquímicos responsáveis por excitar orientações comportamentais primárias, em defesa da perenização da vida; também por excitar orientações comportamentais eruditas, produzidas por conhecimentos científicos, e que devem ser responsáveis pela equalização das orientações instintivas. Cabe a ciências a tutela desta responsabilidade para que compleições pessoais levantadas sejam sóbrias e não contrariem razões estruturais identitárias que conduzem ao equilíbrio socioemocional.

Evidência: Se não consigo deixar de fazer algo que desejo deixar de fazer, significa, então, que as orientações fisiológicas, emanadas de minha fisiologia, que instruem compleições pessoais para alimentação, defesa e reprodução, estão potencializadas em minha razão em função da dominância do instinto sobre minha faculdade de entendimento. O que significa dizer que tudo o que faço ou deixo de fazer está sendo, enormemente, manipulado por forças instintivas elementares. Ou seja: destreza irracional para busca de alimentação, defesa e reprodução pulsa forte em minhas artérias e orienta primariamente minha razão.

2. Devemos considerar que a razão humana é basicamente alimentada por orientações primárias conservacionistas. O que a expõe a imposições contraditórias instintivas

2ª evidência – Face comum a racionais e animais: origem da violência.

ILUMINANDO – O Sistema Intelecto-Orgânico, o corpo humano, é gerenciado por duas faces. Uma, racional (intelectiva); a outra, comum (instintiva).  Denominamos a face instintiva de comum porque é faculdade de gerenciamento comportamental e fisiológico presente em racionais e irracionais, em homens e em animais.

Conclusão: Quando a face intelectiva (inteligente) é escravizada pela face comum (instintiva), as atitudes e ações, posturas e omissões humanas são expressas, primariamente, em função das necessidades de alimentação, defesa e reprodução. O que significa dizer que toda destreza, ardil e frieza animal passa a ser sincretizado nas atitudes e ações, posturas e omissões humanas em busca de satisfação. Ou seja: o temperamento agressivo, dominador e egoísta animal passa a reger a razão humana.

Evidência: Doutrinas Educacionais que relativizam a natureza intelecto-orgânica, em função das culturas, desconsideram a condição ambígua da alma* e destinam a criatura humana a ser regida pela força brutal da primariedade. Então, “a violência é expressão sincrética da criatura que habita em cada um de nós”, variando em menor ou maior grau conforme formação que nos foi concedida. Lembrando, sempre, que doutrina educacional eficaz deve atentar especificamente para dificuldades e limitações distintas que singularizam as pessoas, pois tais obstáculos induzem a interpretações diferentes de uma mesma informação, dando margem para distorção da mensagem apregoada pelas doutrinas.

*ALMA = Conjunto das faculdades psíquicas, morais e intelectuais humana.

3. A ciências não deve se omitir diante da produção de distorções alimentadas por fantasias. A omissão científica denuncia a subordinação do conhecimento a orientações primárias instintivas.

3ª evidência – Religiosidade, ciências e a sexualidade.

ILUMINANDO Sendo a sexualidade, nos irracionais, orientada e limitada pelo instinto, podemos afirmar que as demandas de copulação, nestes, está objetivamente associada a processos bioquímicos fisiológicos que impulsionam ações e omissões em função de um ciclo vital de fecundidade.

Sendo a sexualidade, nos humanos, orientada pelo instinto e pela percepção racional erotizada, sua limitação é condicionada a existência de uma razão intelectiva desapaixonada. Podemos afirmar, então, que as demandas de copulação, nestes, está associada a processos bioquímicos fisiológicos que impulsionam expressões sensuais encantadas. Que tais expressões devem ser orientadas e limitadas por razão inteligente desafeiçoada.

Conclusão: O conhecimento e reconhecimento do modo operandi das duas faces gerenciadoras do Sistema Intelecto-Orgânico humano – face intelectiva e face instintiva – dinamiza resistência e impulsiona orientação retificadora diante de orientações sensoriais desarrazoadas impostas pela fisiologia em busca de conservação.

Evidência: O exercício da religiosidade e da ciência traem a consistência etimológica de suas significações, distorcendo o produto de suas específicas pretensões, quando o agente religioso ou o cientista tiver sua face intelectiva coagida por devaneios instintivos. O que significa dizer que o conhecimento científico e o conhecimento religioso, assim como qualquer outro conhecimento, põem em risco a legitimidade de suas pronunciações quando a faculdade de temperamento instintivo orienta suas formações.  Ou seja: a subordinação da inteligência ao instinto promove uma brecha intelecto-sensorial que induz a produção de doutrinas e teorias distorcidas. O encantamento produzido pelo processamento fisiológico bioquímico reprodutivo, por exemplo, embriaga a razão e a coage a testificar fantasias como se fossem realidade.

4. A consciência humana experimenta pensamentos sadios e pensamentos doentios, o homem emancipado dinamiza os que são sadios e retifica ou ignora os que só servem para causar embaraços.

4ª evidência – Sombra genética na razão humana: inveja e preconceito.

ILUMINANDO – Expressões de entendimentos que são levantados na consciência refletem, em maior ou menor grau, orientações instintivas características de temperamento animal. A inveja, por exemplo, é reflexo de instinto primário que orienta a busca de alimentação, defesa e reprodução sem se sensibilizar com decorrente produção da desgraça alheia. O preconceito, também, é reflexo de fenômenos biológicos essenciais orientando seleção natural em proveito da manutenção ou melhoramento dos genes de uma espécie.

Conclusão: O instinto induz o animal a ações e omissões considerando apenas a preservação da vida e a manutenção e melhoramento genético. Então, sendo o instinto de conservação comum a homens e animais, a razão humana absorve tais orientações e as transforma em sentimentos eticamente desprezíveis:  a inveja e o preconceito.

 Evidência: Ter consciência da fenomenização desses mecanismos biológicos auxilia na interpretação e equalização das pulsões fisiológicas instintivas. O que significa dizer que a razão humana deve entender que a percepção involuntária de certos sentimentos negativos não habilita licença moral ou ética para colocá-los em prática. Ou seja: o conhecimento e reconhecimento da complexidade de tais fenômenos abre espaço para reflexão sóbria e interpretação da real função de tais sentimentos. O grau de discernimento ético e moral humano não deve ser coagido por orientações primárias fisiológicas. Sujeitar-se ou não interpretar devidamente tais orientações é descer o degrau do patamar de evolução: O “homo intellectus organicum”* possui um cérebro que o habilita a se emancipar de orientações primárias instintivas, deve ser usado em sua plenitude.

*homo intellectus organicum = ser humano.

5. A subordinação a anseios fisiológicos primários ocorre quando a razão cede a imposições instintivas, expondo-se a reveses éticos ou legais embriagada por orientações fisiológicas conservacionistas.

5ª evidência – Instinto de conservação, sexualidade e adultério.

ILUMINANDO – A razão humana é orientada basicamente por duas intuições. Uma delas, instintiva, é reflexo de processamentos bioquímicos fisiológicos que orientam atitudes e ações, posturas e omissões compromissada unicamente com a conservação da vida. A outra, intelectiva, produto de processos e procedimentos educacionais, formais ou não, que orienta atitudes e ações, posturas e omissões compromissadas com os valores da cultura ou do meio físico e emocional que estiver inserida.

Conclusão: A intuição instintiva, majoritariamente influenciada pelo sentido de reprodução, busca incessantemente oportunidades para atender demandas funcionais orgânicas que induzem inseminação. O que significa dizer que desejos sexuais são impulsionados por demandas fisiológicas associadas a funcionalidade de óvulos e de espermatozoides. No entanto, a intuição intelectiva, orientada por teorias ou práticas educacionais, fica exposta a magnitude de força instintiva que pode corrompê-la ou não. Ou seja: a corrupção de razão inteligente por pulsões vitais reprodutivas varia em função do grau de domínio próprio estabelecido em tal razão.

Evidência: Quando dois corpos se aproximam, naturalmente suas razões buscam se identificar. A razão instintiva, aguçada e irracional que é, sonda a compleição fisionômica e emocional alheia buscando encontrar uma possibilidade de envolvimento sexual. Se a razão intelectiva de uma ou de ambas as partes estiver ou for vulnerável, com baixo domínio próprio, propiciará espaço para uma conjunção: o adultério ocorre em função do domínio da face instintiva sobre a face intelectiva. E isso, geralmente, é produto de formação pessoal que negligencia a necessidade de ensinar o ser humano a se autoconhecer. Pois, a traição ocorre, primeiramente, quando a face intelectiva de uma determinada pessoa é subjugada pela face instintiva desta mesma determinada pessoa.

6. O gênero sexual é definido pela funcionalidade das unidades de função responsáveis por fazer eclodir a fecundação, o que não se altera, independentemente da convicção sexual.

6ª evidência – Anatomia e gênero sexual.

ILUMINANDO – Estrutura física orgânica, distinta em machos e fêmeas, orienta e viabiliza conjugação sexual que ratifica a funcionalidade de todas as unidades funcionais bioquímicas e biológicas responsáveis ou envolvidas no processo de reprodução.

Conclusão: Geneticamente, na espécie humana, a eficácia física, química e matemática de todo material genético que atua para a fertilização está vitalmente associada ao material genético pertencente a natureza sexual contrária de cada um dos gêneros.

Evidência: Anatomia sexual distinta, por si somente, não define a “convicção sexual”; no entanto, o “gênero sexual” é imposto pela matematicidade genética. O que significa afirmar que a matemática, a física e a química são quem norteiam a razão e a competência das unidades funcionais orgânicas envolvidas no processo de reprodução, pois o material genético mantém sua funcionalidade independentemente da convicção sexual. Ou seja, embora a convicção sexual esteja sujeita a ser orientada por culturas ou por usos e costumes sensuais exercitados ao longo do tramitar de uma genealogia, o gênero sexual é definido pelo poder de fertilização expresso por óvulos e espermatozoides, independentemente da orientação da libido. Então, a convicção sexual está sujeita a variações em função de culturas ou de posturas sexuais não ergonômicas exercitadas ao longo da existência de uma árvore genealógica. O que significa dizer que a convicção sexual é associada a usos e costumes e pode, também, ser sintetizada como um dom ou predisposição natural disponibilizada para a alma* em decorrência de rituais sexuais simulacros (intuitivos e não naturais) exercitados no tramitar de uma genealogia. Enquanto o gênero sexual é expressão genética para eclosão e conservação da vida biológica, simplesmente.

Alma = Conjunto das faculdades psíquicas, morais e intelectuais do homem

7. Os olhos que veem precisam enxergar a real condição fisiológica humana, considerando as demandas da razão intelectual e as demandas da razão instintiva, em conjunto e em separado.

7ª evidência – O autoconhecimento e a percepção da real condição humana.

ILUMINANDO – Navegar em um imenso oceano sem bússola, sem conhecimento oceanográfico, ou sem saber se orientar pelas estrelas vulnerabiliza o homem a imersão nas profundezas do desconhecido.

Decidir sobre atitudes e ações, posturas e omissões sem conhecer a origem e a funcionalidade dos fenômenos sensoriais que orientam o pensamento humano é sujeitar-se à subordinação a vozes desconhecidas que ecoam na razão ditando ordens primárias em defesa da conservação. 

Conclusão: A construção do preconceito vem assessorada pela certeza infundada de um entendimento abrasivo a imagem ou a personalidade de outrem. Contudo, o conhecimento e reconhecimento de como realmente um pensamento se forma ou é influenciado serve para orientar e iluminar a percepção socioemocional de outrem, sem causar colisão. Pois o autoconhecimento, a partir do entendimento do que realmente nós somos, produz empatia e tolerância diante de realidades diferentes, conflitantes ou socioemocionalmente embaraçosas.

Evidência: Reconhecer em si mesmo mecanismos fisiológicos e sensoriais que influenciam ou orientam a razão habilita sentimento de empatia e benevolência, pois induz discernimento sobre as razões de formação da própria personalidade e, consequentemente, sobre as possíveis razões da formação da personalidade alheia. – O autoconhecimento induz entendimento para orientação e triagem das nossas atitudes e ações, posturas e omissões, e isso é bom.